carregandi

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

Acesso do Associado:   
 

Ainda não é associado?

Venha fazer parte da Assisefe!

Clique aqui!
A - A +

Idosas registram em livros quase um século de memórias do Rio

history terça-feira, 18 de junho de 2019     folder Notícias

 

Adélia de Oliveira tem 94 anos e viu duas ditaduras, 25 presidentes, várias crises econômicas e políticas, a popularização do rádio, da TV e da internet, e muitas transformações culturais. Mas o que ficou na lembrança foi um Rio de Janeiro mais simples, quando deixava as portas de sua casa abertas na Tijuca, voltava de madrugada com as amigas dos bailes da Estudantina e conhecia todos os vizinhos pelo nome.

Suas memórias estão agora registradas em um livro, assim como as de vários outros idosos que vivem em casas de repouso no Rio. A iniciativa é uma parceria entre o Instituto da Criança e a empresa GC-5 que tenha resgatar as histórias de quem chegou na melhor idade e também restaurar sua autoestima.

Nessa segunda-feira (17), Delita, como Adélia gosta de ser chamada, e outras sete colegas das casas de repouso Vila Marina e Vivência receberam seus livros de memórias em um evento no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, um dos patrocinadores.

As lembranças são uma janela para um mundo tão diferente que parece ficção. No livro "Ame intensamente", Delita lembra de quando o marido viajava o mundo com a Marinha Mercante nos anos 1950.

Naquela época, 60 anos antes do WhatsApp, até mesmo o telefone era inacessível no exterior. Para que ouvisse sua voz, o marido gravava um LP, que demorava 20 dias para chegar ao Brasil, de navio.

"Hoje vocês pegam isso aqui (aponta para o celular) e na mesma hora estão vendo e falando com todo mundo. Quando me despedi do Antônio no porto, eu disse: 'Só vou ver esse rostinho no ano que vem."

Cada livro é escrito por um voluntário. O título é decidido por quem conta as histórias. Delita justifica o nome que escolheu:

"Amo a vida. Vou morrer porque não tem jeito. Mas vai ser a contragosto."

Edla Guiomar de Carvalho de 88 anos, também registrou suas memórias em livro "A mulher alegre". Nascida no Méier, na Zona Norte, lembra de quando ia ao cinema Imperator e aos bailes "à rigor", com mulheres de vestido longo e homens de smoking.

"Naquela época, a gente voltava para casa de noite e ninguém incomodava. Hoje em dia não respeitam mais."

Ela lembra de quando pegava o bonde para ir pra escola e, depois, para "ver as modas" no Centro do Rio.

"Só olhava as vitrines porque não tinha dinheiro pra comprar nada. As mulheres não podiam trabalhar. Só como professora e às vezes em escritório, mas normalmente os maridos não deixavam", diz.

O casamento mudou a vida de Mafalda Salgueiro Ferreira, de 86 anos, segundo conta no livro "A felicidade mora aqui". Da Saúde, onde vivia com a mãe e o pai operários, foi para a Tijuca e o Leblon, depois de casar com o engenheiro Joaquim.

"Tirei a sorte grande, como falam. Casei muito bem", diz.

O projeto Era uma Vez existe há dois anos e já contou 81 histórias. Nesta 10ª edição escreveu as memórias apenas de mulheres, que contaram suas lembranças no Dia das Mães.

Fonte: G1