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Envelhecimento ativo, recomendado pela OMS, traz qualidade de vida

history segunda-feira, 1 de outubro de 2018     folder Notícias

 

No dia em que Maria do Socorro se formou em arquitetura, ela realizou um sonho de infância. Tinha 40 anos, marido e três filhos. Quando foi, pela primeira vez, para a Disneylândia, aos 62 anos, se sentiu nas nuvens brincando pelos parques com o marido, Luis Felipe, e posando para fotos ao lado de personagens que povoam o mundo infantil. O casal experimentou, também, a delícia de ouvir o som do Maroon 5, ao vivo, no Rock in Rio, no ano passado, mas já nem consegue contar nos dedos das quatro mãos o número de carnavais passados em Salvador, pulando na pipoca ou curtindo os trios elétricos, em qualquer ponto do circuito Barra/Ondina.

Ela é bancária aposentada. Ele, engenheiro aposentado, passou em concurso público da Telebras e voltou a trabalhar em 2014. Casados há 42 anos, Maria do Socorro da Rocha Freire e Luis Felipe Teixeira Freire, ambos de 64 anos, gostam muito de viver. E não é só força de expressão. O casal de Águas Claras trafega nos mais diferentes ambientes com curiosidade de criança, disposição de adolescente e entusiasmo de jovem. O casal frequenta uma academia de ginástica juntos — Socorro pratica hidroginástica, Luis Felipe, musculação — e ambos fazem aulas de dança de salão, paixão antiga da mulher que acabou contagiando o marido. Hoje, o homem meio tímido e mais reservado já se expõe com desenvoltura pelos salões, sem medo de ser feliz.

A história do casal é pontuada por tantas atividades, que muitos amigos comentam que esse casamento de amor, afeto, cumplicidade e muitos agitos é exceção. Do curso de inglês juntos, passando pelas aulas de canto de Socorro, as viagens nacionais e internacionais, os eventos de trabalho, encontros com os amigos, cuidados com os netos e brincadeiras de família, tudo é motivo para levantar o ânimo e reativar a disposição de Socorro e Luis Felipe em se divertirem. “Hoje, cheguei ao meu futuro e faço tudo o que é melhor para mim. A hora é agora”, resume a mulher de olhar faceiro e sorriso largo, que diz só se lembrar da idade quando é perguntada.

Na casa de Dalva Ferreira dos Santos, em Ceilândia, a família já conta com a força de uma guerreira, como costumam brincar os filhos e netos. E não é por menos. A matriarca de 75 anos, que já foi faxineira, costura, borda e faz crochê, ensina tapeçaria, estuda informática, faz dança sênior, anda na esteira, arruma a casa, cozinha para a família e, ufa!, lava e passa as roupas. “Nada me atrapalha, graças a Deus. Na minha vida não tem tristeza. Os problemas ficam para trás e eu vou embora, porque tenho muita coisa ainda para fazer”, diz a aposentada.

Envelhecimento ativo

O casal e dona Dalva representam a mais perfeita tradução do envelhecimento ativo, um conceito adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que expressa a necessidade de que a velhice seja uma experiência positiva, uma vida mais longa com oportunidades contínuas de saúde, qualidade de vida, participação e segurança. O conceito é lembrado hoje, 1º de outubro, para celebrar o Dia Internacional do Idoso. A data marca, também, os 15 anos do Estatuto do Idoso, que normatiza os direitos assegurados às pessoas com idade a partir de 60 anos.

O envelhecimento ativo potencializa as chances de participação do idoso nas questões sociais, políticas e econômicas ou em família, de acordo com a professora de geriatria da faculdade de medicina da Universidade Federal de Goiás Elisa Franco de Assis Costa, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. “É a otimização do potencial do idoso na sociedade, mas é uma ação multifuncional, não é isolada”, explica.

O conceito admite que as medidas preventivas para o envelhecimento ativo começam na infância, com uma boa alimentação, passam pelo fator escolaridade, já que a educação ajuda a proteger contra a demência, e se estende a cuidados contínuos, como a necessidade de uma atividade física, dieta saudável e combate a vícios. O tratamento de doenças crônicas ajuda a evitar as complicações na velhice. A correção de deficiências visuais ou auditivas não são apenas uma questão estética. Além disso, é preciso, também, bom  senso no uso de medicamentos. “É preciso diminuir o preconceito da sociedade contra o idoso. A velhice é um momento da vida que não pode ser apresentado somente como ruim. Tudo tem os dois lados”, explica Elisa.

Crimes e abusos

Mesmo se avançando para uma situação de mais qualidade de vida, ainda persistem situações de abuso contra os idosos. A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência(Decrin) registrou 88 casos de violência relacionados ao idoso, de janeiro a agosto de 2018. No ano passado, foram contabilizadas 203 ocorrências de violência contra essa parcela da população.

Os crimes mais comuns registrados pela Decrin são maus-tratos e apropriação indébita. De acordo com a delegada-adjunta Érica Macedo Castanho Portela Luna, a maioria dos crimes é  praticada por pessoas próximas ao idoso, como parentes, amigos ou cuidadores. “É importante que as pessoas observem como o idoso está sendo tratado, se sofre violências ou tem machucados, se faz empréstimos bancários ou se está gastando muito dinheiro. Ao notarem alguma coisa diferente, as pessoas devem denunciar, para que sejam averiguadas as suspeitas”, informa a delegada.

Para saber mais

O Dia Internacional das Pessoas Idosas foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1991. A data foi estabelecida em 1º de outubro com o objetivo de incentivar a conscientização da sociedade sobre as necessidades e a preservação do respeito e dignidade das pessoas idosas, além de homenagear essa parcela da população mundial.

Criado em 1º de outubro de 2003, o Estatuto do Idoso trata de questões como atendimento prioritário, moradia, saúde, proteção contra tratamento discriminatório ou violento, assuntos trabalhistas e previdenciários.

A expectativa de vida do brasileiro saiu de 45 para 75 anos. Em 2050, o Brasil deverá ter um idoso a cada três pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Direitos do Idoso

» Direito ao respeito: inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral;

» Direito à moradia digna; com sua família ou em instituição pública ou privada;

» Direito à gratuidade de medicamentos, próteses e quaisquer recursos relativos a tratamento, habilitação ou reabilitação, em esferas públicas;

» Prioridade de aquisição de imóvel em programas habitacionais com dinheiro público.

» 1 salário mínimo por mês, conforme a Lei Orgânica da Assistência Social, para os maiores de 65 anos que não têm como se sustentar

» Atendimento domiciliar pelos conveniados ao SUS para enfermos

» A idade mais elevada é critério de desempate em concursos públicos

Fonte: Correio Braziliense