Envelhecer com dignidade

Os mais antigos diziam que envelhecer com dignidade era ter o nome “limpo”, honrado, acima de qualquer suspeita. Esta seria a maior riqueza a ser deixada como herança para os filhos.

Despois de muitos “péssimos” exemplos de pouca ou nenhuma dignidade por parte de quem deveria ser referência, o que vem contribuindo para que a desonestidade se vulgarize em proporções geométricas, uma me deixou feliz. Refiro-me ao exemplo firme, competente e corajoso do juiz Sérgio Moro, que pela sua extraordinária capacidade de trabalho, conseguiu, pela primeira vez na história deste país, recuperar somas fantásticas de dinheiro desviado pelos corruptos. Diante deste magnífico modelo, ouso admitir que nem tudo está perdido.

Mas, voltando ao tema, pergunto: “como envelhecer como dignidade” quando, com profunda tristeza, nos deparamos com os inúmeros depoimentos que vêm sendo prestados à justiça por pessoas de cabelos grisalhos, que sem nenhuma manifestação de vergonha ou de arrependimento, conta como enganaram uma nação inteira, desviando recursos para obras faraônicas no Brasil e no Exterior. Vejo com revolta políticos que roubaram o sonho de eleitores, sem distinção de classe, credo, cor ou sexo, valendo-se de discursos moralistas e negociando propinas de toda ordem.

Milhares de crianças, jovens e idosos morrem por falta de acesso à saúde, a uma alimentação razoavelmente saudável. Milhares de brasileiros não têm acesso a hospitais, escolas, empregos e a uma moradia minimamente segura. E o escárnio com que políticos e empresários corruptos se manifestam fazem com que tenhamos vergonha de tudo e de todos.

Quem não conhece inúmeras histórias de pessoas que têm que recorrer à Justiça para obter tratamento médico que o SUS (que, conforme manda a Constituição, deveria ser universal e gratuito) ou as Secretarias de Saúde deveriam prestar, mas que só o fazem mediante decisão judicial, e, infelizmente, nem sempre célere o suficiente?

O Brasil está de olho em Curitiba. Ali, membros do Ministério Público, juízes, policiais federais, apoiados por técnicos nas mais diversas áreas de investigação estão construindo uma nova concepção que temos do Judiciário.  

E eles não estão trabalhando sozinhos, isolados. Estão recebendo o apoio, quase que unânime, dos brasileiros de todos os quadrantes; estão recebendo o apoio da mídia e estão sendo vistos no panorama internacional como uma semente positiva, um exemplo a ser seguido, uma experiência a ser exportada.

Esta é uma reflexão que gostaria de partilhar com meus colegas (aposentados e principalmente com os que ainda não se aposentaram) e, como cidadão de boa-fé, ouso afirmar que envelhecer com dignidade é possível, sim, se tivermos nossas instituições fortes e livres desse grande mal que corre nosso patrimônio moral e financeiro.

                                                                            Lourival Zagonel

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