Bem-vindo seja, Papa Francisco!

 

“Seja a mudança que quer ver no mundo”

(Mahatma Ghandi)

 

     A grande novidade do momento não é a eleição de um Papa, mas a eleição do Papa Francisco. E por que afirmo isso? Pode parecer estranho, mas não é.

     Primeiro, tivemos a atitude inédita (e tenho certeza que não estou exagerando) de o Supremo Tribunal Federal finalmente punir, exemplarmente, os mensaleiros, apesar da grande pressão que se exerceu junto aos Ministros. Alguém duvida do que estou falando?

     Agora, elege-se um Papa que, logo de cara, mostra-se diferente. Ele tem tudo para ser o caminho da renovação dos costumes e começa por ser, ele mesmo, o próprio exemplo. Ainda muito longe de sonhar um dia ser Papa, o Cardeal Bergoglio já era um belo testemunho: fazia sua própria alimentação, vivia sozinho em um apartamento simples, andava de ônibus ou de metrô, dispensando o carro, o motorista e todas as mordomias que tinha direito. Sua rotina de trabalho começava as 4:30hs e ia até as 21hs. Quando foi nomeado Cardeal, não exigiu batina e paramentos novos, pelo contrário, pediu para usar a batina do seu antecessor, morto três anos antes.

     Sua devoção franciscana o levou a adotar o nome de Francisco – em referência a São Francisco de Assis – e na sua primeira homilia, convocou a todos (católicos e não católicos) a primarem pela humildade e enfrentar o que há de mais desumano dentre os humanos: a pobreza, a miséria.

     Abdicou, de imediato, de muitas das tão conhecidas e supervalorizadas mordomias que, aqui no Brasil, se tornaram conhecidas como “a liturgia do cargo”, que satisfaz a vaidade dos egos. Ele, por sua vez, quis dar o bom e melhor exemplo. Alguém pode me explicar de onde vem tamanha humildade? Existe precedente igual a este no Legislativo, no Executivo, no Judiciário, nos órgãos municipais, estaduais e federais?

     Pasmem, amigos e amigas, mas nós tivemos a oportunidade de conhecer e conviver com um humilde Senador da República que, por 25 anos, nos deixou um legado de simplicidade franciscana.

     Depois de ter exercido vários mandatos de Deputado Estadual pelo Estado do Mato Grosso do Sul, ter sido Secretário de Estado, Deputado Federal, Governador, Senador, Presidente da República, o saudoso Senador José Fragelli foi e é um grande exemplo a ser exaltado.

      Ao assumir a presidência do Senado, abdicou, de logo, das mordomias da mansão a beira do Lago Paranoá, pagando do seu próprio bolso as despesas da casa. Dirigia o seu antigo Dodge Dart para ir ao Senado (raramente usava o carro oficial).

     Quando viajou aos Estados Unidos, a convite do Governo Americano, devolveu todas as diárias que recebeu (dou um picolé para quem me informar se alguém mais fez isso) e, como Presidente do Congresso Nacional, foi um dos principais baluartes da transferência do poder militar para o poder civil.

      Homem simples, cumpridor dos seus deveres como político, como cidadão, bom marido, deixou de se candidatar à reeleição para se dedicar a família e voltou para a pequena cidade de Aquidauana, onde viveu seus últimos dias. Fragelli sempre foi muito preocupado e indignado com os desmandos que os herdeiros da Democracia estavam fazendo com a nossa população. Salve o Papa Francisco! Que Deus o ilumine, proteja e faça com que o seu exemplo frutifique na alma de todos quantos possam entender a gravidade do momento pelos quais passamos aqui no Brasil e praticamente em todos os continentes.

 

Lourival Zagonel

Presidente

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