Velhice agredida

O respeito aos mais velhos, indicativo de boa educação, caiu em desuso. Pessoas com 60 anos ou mais têm sido ignoradas e maltratadas em todo o planeta. Estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), alusivo ao 15 de junho, consagrado como Dia Internacional de Enfrentamento à Violência Contra a Pessoa Idosa, mostra que um em cada 6 sexagenários sofre algum tipo de agressão. Eles somam 141 milhões de uma população global de 841 milhões que chegaram à terceira idade.

A agressão mais comum é a psicológica (11,6%), seguida de financeira (6,8%), negligência (4,2%) e física (2,6%).  Os dados derrubam o mito de que nos países asiáticos os idosos são reverenciados. Na China, 36,2%, e na Índia, 14% deles são vítimas de maus-tratos. Nas Américas, a situação não é nada fácil para 10% dos que vivem nos Estados Unidos e dramática para 79,7% dos peruanos. O Japão se destaca entre os países que melhor cuidam de anciões.

O levantamento sobre a situação da velhice no mundo é inédito. Tomou com base 52 estudos, entre 38.444, por serem compatíveis com a metodologia aceitável pela OMS, representando 28 países. A conclusão foi publicada na The Lancet, revista britânica, considerada uma das mais importantes da área médica no mundo. O Brasil não foi incluído na base da mostragem, pois a coleta de informações não atende às exigências da organização, embora disponha de muitos dados sobre a realidade dos idosos no país.

No Brasil, os infortúnios dos idosos não são diferentes dos vivenciados em outros países, incluídos na sondagem coordenada pela OMS. No ano passado, o Disque 100 do Ministério de Direitos Humanos recebeu 65.890 queixas, 3.327 a mais do que em 2015. Destacam-se negligência (25.062 denúncias), violência psicológica (17.186), abuso econômico-financeiro e patrimonial (13.389) e violência física (9.142).

As agressões não são apenas domésticas. A expansão das cidades ignora as pessoas de mais idade. Os urbanistas não se dão conta das necessidades desse segmento e elaboram projetos sem se preocuparem com barreiras arquitetônicas ou empecilhos aos que se tornaram mais frágeis fisicamente com o passar dos anos.  O sistema de transporte público parece ser feito só para os jovens, o que dificulta a locomoção e a acessibilidade.

No trânsito, os apressados são desrespeitosos com os condutores idosos. No sistema público de saúde, a deficiência tem padrão mundial. Além dos aspectos clínicos, faltam profissionais, como psicólogos, que ofereçam tratamento adequado aos traumatizados pelas mais diversas formas de violência. Faltam também unidades especializadas no campo da segurança pública para recepcionar e bem atender aos idosos vitimados.

O mundo envelhece e os governos ignoram essa realidade. Especialistas reconhecem que o cenário é mais grave do que mostram os números. Mas é um alerta importante a todos os países. Até 2020, haverá mais idosos do que crianças com até 5 anos. Em 2050, os velhos totalizarão 20% dos habitantes da Terra: 2 bilhões ou mais. Não dá para esperar. A revisão de políticas públicas é medida que se impõe agora, não só no Brasil, mas em todas nações.

Fonte: Correio Braziliense

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